POBRES MISERÁVEIS

      A última vez que me perguntei o que seria ter dinheiro, novas portas da minha mente se abriram. Então me deparei comigo mesma como se fosse diante de um espelho, me vendo e ao mesmo tempo fazendo uma reflexão daquelas pessoas que havia por detrás daquele espelho, fazendo seus afazeres do dia.
   Me espantei com tamanha ignorância, com tamanha fraude de muitas daquelas vidas que ali estavam. Uns diziam que eram melhores do que os outros porque tinham mais posses, mais bens, mais dinheiro, sobrenome, cargo, ali era possível encontrar " alguns" daqueles que se achavam os grandes "homens" para "sustentar" duas famílias, ou duas mulheres, onde suas "garotas" recebiam uns trocados ou no máximo uns três mil reais para "investir" em roupas de grife e belos pares de calçados da moda(...) enquanto outros apenas ali estavam.
     Atrás daqueles que ali ostentavam estava uma casa de uns oitocentos mil reais, um carro de cem mil, e alguns "caprichos" que eram alimentados.
Em um momento de análise, lembrei de todas as notícias que estavam circulando na imprensa diante da "crise" que assolava o país. Ouvi algo do tipo: Recebi propina de 700 mil reais - recebi propina de 2 milhões de reais em espécie....recebi...isso...aquilo...
E hora aqui, hora acolá, levei um susto de realidade! Comecei a explorar informações de "celebridades", de luxo, de vida totalmente confortável financeiramente. E parei. Estava eu sendo iludida por pessoas de uma singela cidade ao sul do país, que pouco mais tinha do que cinquenta mil habitantes, onde que alguns "destes" por muitas vezes me deixaram tristes, cabisbaixo, pensando que nada eu era, nada eu seria, porque não poderia acompanha-los.
       Ai percebi, quantos pobres miseráveis existia em um quadrado tão pequeno e tão espinhoso. Ali estavam "aqueles" que não poderiam pagar vinte mil reais por uma boa garrafa de vinho, ali estavam aqueles que não "gastavam" cinquenta mil reais em uma baladinha, ai estavam os que não conseguiam manter uma casa de cinco milhões, nem tão pouco sentar seus traseiros em um carro avaliado em quinhentos mil reais. Aqueles que picanha, não poderia ainda ser o prato diário como se fosse arroz e feijão para a grande massa. Aqueles que não poderiam pagar por um rolex de oitenta mil reais.
      Observei que "aqueles" que eram os "ricos" e pagavam suas "garotas" para uma diversão, nem esses eram realmente poderosos.
Sentei em frente ao espelho e comecei a chorar, não por eu não ter uma condição assim, ou por eu não ter aquilo que "aqueles" possuíam, mas chorei por perceber o quanto pobres e miseráveis "aqueles" eram. Tanto luxo, sem ser luxo, tanta aparência sem nada valer, tanta ostentação sem nem ao menos conhece-la de verdade. Chorei, lamentei por tantos anos perdidos, por tantas boas amizades afastadas, por tantas coisas simples da vida, que simplesmente "aqueles" não haviam experimentado.
     Pensei: Como são pobres, que vida miserável. E ainda há um mundo para ser explorado, conhecer aquilo que existe, aquilo que é real, não, eu não irei me iludir com pequenas ofensas, com alguns dedos cruzados me desejando o mal, não irei abaixar a cabeça por que eu tenho contas ainda para pagar, porque meu caminho nunca foi fácil.
Mas como eu agradeço por poder ter conhecido aquilo que realmente vale em uma vida. Como eu agradeço o alimento que um dia já me faltou, como eu agradeço os cobertores que hoje tenho para me aquecer e que me ajuda a esquecer de tantas vezes que o frio eu senti.
Não pretendo ser um corrupto, nem tão pouco viver em um quadrado espinhento. Vejo que meu mundo vai muito além disso. Não desejo ser pobre de espirito nem miserável de coração.
Os olhos sorriem como reflexo da alma. Em nosso intimo está a verdadeira ostentação de viver uma vida plena, com paz, amor e sabedoria. Psiu....Ouça....é o silêncio querendo te dizer algo....(...)
Ps: Fabi Zanini

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